quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"VIDA FÁCIL"





"VIDA FÁCIL"


Seio médio, imaturo,
que no tecido barato,
transparecia de fato
mostrando mamilo escuro.
Coxas da tenra idade
em sua pré-puberdade
em toda extensão se via
quando os braços desnutridos
para mim ela estendi
ao que elevava o vestido!

Uma criança morena
que sangrou o meu coração
era a estrela da cena
no estribo do caminhão
adolescente pequena
num vestido de algodão!
Os lábios que de vermelho
forte batom coloria
não disfarçavam o medo
que esta criança sentia.
Nos olhos os olhar sapeca
que forçado ela exibia
demonstravam a tempestade
que lhe passava na alma
enquanto o corpo vendia!

“Não cobro caro, seu moço,
não comi o dia inteiro
se tiver pouco dinheiro
eu faço por um almoço;
mas se acaso achar muito
me dá só o que puder
que se não bater em mim,
eu faço o que o senhor quiser;
-e só por cinco reais-,
mas se quiser me bater,
então tem que pagar mais!”

Geme um coração de pai,
tão alto quanto à turbina
que me arrasta o caminhão
no posto de gasolina,
mundo cão dos desiguais
cadê o Deus dessa menina?
Diz que justiça Ele faz,
e se é por esta que Ele prima!

JJ Braga Neto

Um comentário:

Mara disse...

Poema lindo e perfeito...continue por favor...beijos!